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O Estudo HPTN

De acordo com um estudo publicado a 11 de Agosto de 2011 no “New England Journal of Medicine” a TARc (terapêutica anti-retroviral combinada) para alem do seu papel conhecido na diminuição da replicação do virus HIV e melhoria da sobrevida do doente, razão pela qual tem sido utilizada em doentes contagiados, poderá começar a ser vista também de outra perspectiva igualmente importante, mais precisamente no poder de reduzir a transmissão por via sexual e assim ajudar a combater o flagelo do HIV que estimasse atingir mais de 33 milhões de pessoas em todo o mundo, dos quais, 22 milhões pertencem ao continente Africano.

 

Devido à elevada importância do tema, este estudo originou controvérsia no meio científico e consequentes reflexões por parte dos membros da comunidade. Os defensores do estudo apoiam-se no facto de estar a ser provado que esta terapêutica reduz a quantidade de vírus presente nas secreções genitais, seja no sémen ou nas secreções vaginais. Visto que a transmissão do vírus por via sexual entre o portador e o individuo saudável está directamente associada com a quantidade de vírus presente no sangue e no tracto genital, os defensores do estudo argumentam que a terapêutica pode reduzir a transmissão do vírus por via sexual, o que se traduz num benefício para a saúde pública. 

 

Foram envolvidos neste estudo 1763 casais originários de 9 países envolvendo todos os continentes. Nos casais em estudo um elemento do casal era HIV-1 positivo e o outro elemento HIV-1 negativo. Antes de começarem os tratamentos todos os casais tiveram consultas de aconselhamento nas quais foi incentivado o uso do preservativo em todos os contactos sexuais, o que originou uma utilização deste contracetivo em 95% dos casais em estudo.

 

Os portadores de HIV-1 foram divididos em dois grupos para assim ser administrado o tratamento em fases diferentes da doença sendo que o primeiro grupo iniciou o tratamento anti-retroviral num estádio precoce da infecção, e o segundo grupo numa fase mais tardia, perto de atingir o “estádio de sida”.

 

Do estudo resultaram as seguintes conclusões: Houve um total de 28 novas infecções HIV-1 no entanto apenas uma ocorreu no primeiro grupo de doentes, grupo este que começou a terapêutica numa fase precoce da infecção.

 

Devido aos resultados obtidos com o estudo concluiu-se então que caso a TARc seja iniciada num estádio precoce da infecção VIH-1 não só melhora o prognóstico do doente como também traz benefícios para a saúde pública porque reduz a transmissão do vírus por via sexual, diminuindo assim o número de novos infectados.

 

Actualmente o número de pessoas submetidos à TARc nos países em vias de desenvolvimento ronda os 7 milhões. Para alongar este tratamento pelas pessoas que se encontram no estádio inicial da infecção, tendo em conta a quantidade e o elevado custo da terapêutica será necessário um grande alocação de fundos para o efeito, contemplando tratamentos, infraestruturas e profissionais de saúde devidamente creditados para o efeito.

 

O ponto anterior leva a reflectir até que ponto é viável o alocamento de ainda mais fundos para o combate ao HIV, quando em países como Angola ainda se conta como principais causas de morte infantil, entre outros, o Sarampo ou a Malaria. Neste ponto pesa também os efeitos secundários do tratamento sendo por isso necessário analisar o rácio risco/beneficio.

 

 

Fonte do artigo: Rui Jorge Salvaterra Pereira Africano / Revista Africa Today Nº 85

01/03/2012